quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Portugal Azul e Branco


 


Os republicanos convictos, que não são tantos como se julga, sobretudo os que se encontram instalados nas "comedorias" da República, encararam mal o facto de os monárquicos, para além de existirem, se manifestarem publicamente e não se remeterem àquilo que consideram o seu ambiente natural estereotipado, as touradas, os fados, o "social" onde exibissem bigodes de "pendurar balões", anéis de brasão e outros artefactos que a propaganda republicana lhes colou. Sobretudo, não levam à paciência que, quase cem anos passados sobre o 5 de Outubro de 1910, haja uma geração jovem que não se revê no regime que impuseram pelas armas de buiças, costas e carbonários concentrados na Rotunda e não tenham nomes e apelidos conotados com a "aristocracia", esse bicho-papão que tanto os assusta por pura ignorância. Isso, então, não levam à paciência. Porque,para eles, a Monarquia é coisa do passado, bafienta, regime de privilégios, de falta de liberdade, de democracia, de desigualdades sociais. E não adianta falar-lhes de países que são monarquias e onde tudo o que apontam à Monarquia é o negativo daquilo que dizem. Como o avestruz, metem a cabeça na areia.


 


O que esses republicanos quereriam é que as comemorações do centenário do regime republicano se desenrolasse na unanimidade dos louvores sem uma queixa, sem uma dúvida, sem qualquer manifestação contestatária. Mas não vai acontecer. Pode o Grão -Mestre da Maçonaria estrebuchar à vontade e chamar "pândegos" aos que, afoitamente, colocaram uma bandeira da Monarquia Constitucional na varanda onde foi proclamada a República e querer assim reduzir os monárquicos a esse epíteto, podem os frequentadores dos blogs insultar com a linguagem da estrebaria de onde vieram, podem os Moral desta história dizer alarvidades. Os monárquicos existem, estão de boa saúde física e mental e não se acomodam ao regime por um prato de lentilhas.


 


Hoje, também, Cascais acordou azul e branca. Sinal dos tempos. Sinal de que não nos calam. E cada dia que passa calarão menos. Portugal estará cada vez mais azul e branco.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O Pretendente ao Trono e Vasco Pulido Valente

 Fiquei espantado pela forma como o Vasco Pulido Valente reagiu à iniciativa do 31 da armada de hastear a bandeira monárquica na varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Antes de mais gostava de fazer uma declaração de interesses, eu gosto do VPV, eu leio o VPV e acho que o próprio VPV deu uma enorme contribuição, enquanto historiador, para desmistificar muitos dos mitos da república - na verdade o povo não queria a república, ninguém ouviu o povo sobre o assunto e nunca o partido republicano teve força para ser governo - VPV ajuda-nos a perceber isso nas suas obras. Mais do que isso, VPV é autor da última biografia de Henrique de Paiva Couceiro, o qual apelida de "o herói português". Por estes motivos e muitos outros, merece a minha estima e consideração.


No entanto, gostava de contar uma história ao VPV. Pelo que vou tentar ser breve, pelo menos tão breve como me permite o facto de ter que contar uma história, a um historiador, vejam lá. Não sei se vou ter sucesso - mas pelo menos tentei. Nunca fui um monárquico de meia-tigela.


Algures em Sintra vive uma família. O pai chama-se Duarte, nome herdado de seu pai Duarte Nuno, a mãe chama-se Isabel, têm três filhos, dois rapazes e uma rapariga. O mais velho é o Afonso, depois há o Dinis e por fim a Maria Francisca, nomes tipicamente portugueses.


Duarte nasceu com uma responsabilidade acrescida sobre os ombros, diziam-lhe que era pretendente ao trono, herdeiro da História de um povo, o povo português. Duarte não teve uma infância fácil, nasceu no exílio na Suíça - exilado da república e exilado da ditadura. Os seus padrinhos de nascimento foram o Papa Pio XII e a Rainha D. Amélia, mulher do Rei D. Carlos. Na década de 50 volta a Portugal, estudou em colégios privados e depois no colégio militar. Cumpriu o serviço militar em Angola, tal como muitos outros portugueses,  infelizmente alguns lá ficaram.


Ainda antes do 25 de Abril Duarte, tal como muitos jovens da sua geração, apoiou vários movimentos que reclamavam a autodeterminação das colónias. Mais tarde, já em liberdade, foi um activista decisivo, e de reconhecido mérito, na campanha Timor 87. Enquanto ser humano teve a oportunidade de privar e ter como amigos importantes figuras, de todas as áreas e espectros políticos, importantes para Portugal. Duarte dedicou a sua vida a ser uma pessoa séria e coerente.


Vivemos actualmente num país em que o Primeiro-Ministro mandou fechar a faculdade onde andou, o mesmo Primeiro-Ministro que é investigado pelas autoridades inglesas num escândalo sobre corrupção. O Presidente da República também já foi Primeiro-Ministro, e teve como seu Ministro um ex-banqueiro que agora está preso e nesse mesmo banco, um outro Ministro havia, que está a ser investigado e que o Presidente da República colocou como Conselheiro de Estado. Isto é a república, supostamente investida de poderes equalitários e de ética, a chamada ética republicana.


É preciso lembrar que igualdade é o chefe de estado ser o primeiro entre os iguais, ser o verdadeiro árbitro e moderador do sistema, independente e imparcial - ser do povo, pelo povo e de todo o povo. Cavaco Silva foi eleito por cerca de dois milhões e setessentos mil portugueses - somos cerca de dez milhões.


Quando o VPV diz que é preciso um pretendente está errado. O pretendente existe e vive como qualquer português médio, em Sintra, com a família - estudou, esteve na tropa e até foi à guerra. Leu, informou-se e tem opiniões políticas. Mas mais do que isso tem uma enorme vantagem relativamente aos políticos, classe à qual nunca ambicionou pertencer, é sério e é reconhecido por isso. Como Chefe de Estado seria imparcial, sem ter que fazer favores às empresas que lhe deram emprego, ao partido que o ajudou a eleger, aos comentadores políticos que o bajularam e aos grupos económicos que pagaram a sua campanha.


Como um amigo me disse ontem, "o sistema democrático estará sempre seguro, nem que para isso tenhamos que ir às três da manhã entregar uma coroa a uma criança em Sintra". Pois é, D. Duarte de Bragança tem um filho.


 


João Gomes de Almeida no Amor em Tempos de Blogosfera 

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Da causa monárquica

 Há muitos patetas que continuam a insistir no argumento da inutilidade das monarquias. Trata-se, amiúde, de gente que carrega a ignorância na mesma proporção do despeito, mobilizando em doses equilibradas lugares-comuns da petite histoire, da coscuvilhice pequeno-burguesa ou do deslumbramento jet set, aos quais se junta uma boa safra de mitos igualitários. Ora, se as monarquias fossem isso, não haveria quem tanto as detestasse ao ponto de as querer destruir. O mais puro republicanismo vive prenhe de regicídio e, quase sempre, foi ou é escola de tiranos endinheirados e camarilhas que encontram no Trono obstáculo derradeiro à consumação do domínio do Estado e da sociedade ; logo, aqueles que se julgam fadados para o exercício do mando. Se as monarquias fossem o que delas dizem os seus inimigos – os patetas e as camarilhas – não teriam o apoio e simpatia que gozam entre o povo chão.


 


Miguel Castelo Branco no Combustões

domingo, 9 de agosto de 2009

A Família já não é o que era

Existem hoje em dia fortes correntes ideológicas para as quais está em causa o modelo de família tradicional. O que quase ninguém repara e diz é que no passado muitos foram os movimentos radicais que lutaram pela abolição da família ou pelo seu controlo pelo Estado. Mas a família é “a única instituição subversiva”, e em todas as épocas conseguiu renascer mediante os actos de amor e de confiança que estão na sua origem. No passado séc. XX, as ideologias dos Estados totalitários consideraram a família o principal factor de transmissão dos valores " errados " e reacionários do passado .. Por isso na União Soviética e na Alemanha Nacional Socialista tentou-se que as crianças saíssem da influência familiar, sendo educadas pelo Estado, respectivamente nos "kolkhoze" e nos “Lebensborn”. As doutrinas fundamentalistas sempre pretendederam moldar um Homem Novo, sem os “preconceitos” familiares. É pois, chocante que ainda hoje se mantenha em regimes democráticos a repugnância em deixar as famílias educar os seus filhos para os seus valores éticos e espirituais por forma a proteger a estabilidade familiar. A obrigação das escolas adoptarem programas oficiais ideológicamente formatados , ou de "educação" sexual polémicas é uma forma actual de totalitarismo cultural . Os pais se quiserem que os filhos tenham educação moral, devem tomar a iniciativa de o pedir. No caso da educação sexual, não podem optar , é obrigatória ... Na nossa sociedade democrática não podemos deixar o Estado penetrar nos terrenos da intimidade familiar ou em que a família tem capacidade de se auto-regular. E devemos ajudar as famílias a encontrar formas de expressar os seus direitos e interesses. A família é o espaço decisivo de aprendizagem do amor, da fraternidade e da paz, e devemos lutar para que ela assuma o seu papel social e político na realização de uma sociedade mais justa Em Portugal a degradação da Família sucedeu principalmente nas grandes cidades, onde as referência socio-culturais desapareceram mais facilmente , e onde os jovens se afastaram da cultura dos pais. A toxicodependência, e a delinquência infantil e juvenil são as consequências mais visíveis. Nós ainda não percebemos o que se está a passar e parece que não somos capazes de utilizar os instrumentos democráticos para, negociando organizadamente o nosso voto, exigir dos Legisladores medidas "amigas da família" e levar o Estado a respeitar o interesse dos portugueses. É verdade que numa visão capitalista irresponsável , será mais fácil manipular uma massa humana desorganizada do que uma Nação constituída por famílias equilibradas. Mas mesmo os mais irresponsáveis já começaram a perceber que o " Inverno Demográfico " ( quando as novas gerações são incapazes de substituir as anteriores) , trará consequências gravíssimas , pondo em causa a preservação do nosso modo de vida e a nossa identidade como Povo. Talvez sejamos substituídos por outras populações mais prolíficas e dominados por elas... . A cultura em que nos situamos considera a família como uma referência de valores e é obrigação do Estado criar políticas de apoio à família. A legislação sobre a família tem um núcleo que não pode estar sujeito nem a flutuações políticas ou ideológicas . Para que as famílias tenham cada vez mais liberdades e direitos sociais, devemos unirmo-nos e exigir dos legisladores.cada vez mais respeito por todos aqueles que geram e criam filhos.


 Dom Duarte de Bragança


in: Expresso

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Homenagem a Dom Manuel II

Por e-mail enviado para o nosso sítio, Falcão Trigoso dá notícia de uma homengem ao nosso  último Rei. Aqui fica para quem possa associar-se:


 


TRIBUTE TO D. MANUEL II – LAST KING OF PORTUGAL


On Tuesday 29th September 2009 at 7.00 p.m. a ceremony will take place at the St. James’s Catholic Church, 61 Popes Grove, Twickenham TW1 4JZ, in honour of the last king of Portugal, who spent the final years of his exile in Twickenham and died there in 1932.


D. Manuel and his wife are remembered at St. James’s for their charitable activities and for the many marks of friendship they showed to their fellow parishioners.


Organized by the parish priest, Father Ulick Loring, in collaboration with the British Chapter of the Order of St. Michael of the Wing, the evening will begin with Solemn High Mass celebrated by the Right Reverend George Stack, Auxiliary Bishop of Westminster.  The Mayor of Richmond, Councillor Celia Hodges, will then unveil a plaque commemorating the years spent in Twickenham by D. Manuel and his wife D. Augusta.  These ceremonies will be followed by a reception at the Parish Hall in nearby Radnor Road and the launch of the latest book by British historian Malcolm Howe, “Dom Manuel II the last King of Portugal”.


Members of the British Historical Society of Portugal will be very welcome to be present at this tribute.  For logistics purposes if you wish to attend please notify Malcolm Howe by phone (0207-352-1953) or by e-mail (malcolmhowe@hotmail.com)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Confesso que me faz confusão...

Não sei se acompanharam, nos noticiários que nos entram casa dentro, a visita que os Reis de Espanha fizeram à Madeira...


Impressiona sempre ver o Rei Juan Carlos I responder num português impecável às perguntas que os jornalistas portugueses fazem num castelhano risível. Contudo, o que mais confusão me faz é ver as multidões de portugueses a ovacionar e a receber festivamente monarcas estrangeiros.  Não me lembro de ver semelhantes manifestações de satisfação nas visitas de outros chefes de Estado. Que de resto não conhecemos. Quem é o Presidente da República Italiana? e da Alemã? e da Checa? sabem que é o da Finlândia? Conhecemos o francês, e sobretudo a mulher dele, e pronto. A notoriedade e o magnetismo, tão relevantes a meu ver, potenciados pela Coroa são por nós, portugueses, experimentados aquando destas cada vez mais frequentes visitas, mas desbaratados na sua genuína função mais simbólica.


Confesso que me faz confusão ... ver as qualidades do que está fora de portas, ignorando as que esmaltam o que é nosso.       

sábado, 1 de agosto de 2009

Monárquico Sem Vergonha - Um Ideal Em Três Pontos

 Quando somos chamados a reflectir sobre uma qualquer doutrina política, principalmente se a mesma for referente à chefia de estado de um país, neste caso do nosso país, arrastamo-nos quase sempre para o facilitismo do “porque sim”. Gostava que um qualquer republicano, ou monárquico que seja, me explicasse o porquê de preferir um rei ou um presidente para chefiar o seu país, neste caso Portugal. Os argumentos recorrentes dos “porque sim” levam-nos ao marialvismo monárquico por um lado e ao jacobismo esquerdista por outro. No fundo, os dois “porque sim” são a mesma coisa – transformados anualmente em material de show business, pronto a animar as madrugadas televisivas dos vários primeiros de Dezembro.


 


Para uma pessoa defender uma doutrina política, enganem-se os que pensam que não falamos de um doutrina política, é preciso ter uma argumentação sólida sobre a mesma. Não basta sermos crentes, não basta sermos monárquicos ou republicanos “porque sim”, se assim fosse não estaríamos a reflectir sobre política, mas sim sobre religião. Gostava então de começar por expor o porquê de eu me dizer monárquico. Vou tentar ser breve e ao mesmo tempo não pecar por falta de argumentação, que aliás comecei por criticar.


 


Defendo uma monarquia moderna para Portugal, uma chefia de estado de cariz hereditário e europeísta, herdeira do legado deixado pelos nosso últimos reis. Pegando neste ponto, a primeira razão para me dizer monárquico é uma motivação histórica e identitária de um jovem do século XXI que olha para Portugal. Estamos perto de comemorar o centenário da república e a esta distância podemos começar a reflectir sobre as verdadeiras motivações do regicídio e também da revolução republicana do 5 de Outubro. Não me quero alongar neste ponto, até porque muito já foi dito e escrito neste último ano, mas basta compararmos as personalidades dos nossos dois últimos reis com a dos nossos vários presidentes do século XX português. Cem anos de república, foram em parte 40 anos de ditadura fascista, de isolamento diplomático e de um retroceder cultural. Tudo aquilo contra o qual o Rei D. Carlos e o Rei D. Manuel II lutaram. Um rei é um garante da soberania, da cultura e da história de um povo – o rei é livre, o país também.


 


A segunda razão é óbvia para quem observa esta questão sem filtros, sem palas e sem preconceitos. Portugal é hoje um país de compadrios, onde impera a corrupção, os escândalos que envolvem políticos e gestores das grandes empresas, onde os ricos são cada vez mais ricos e conseguem com facilidade manipular os políticos, nascidos e criados nos aparelhos partidários. Tem alguma lógica que um chefe de estado venha do próprio sistema? Sendo o chefe de estado o arbitro e moderador das relações políticas do país, deverá ele vir dos próprios aparelhos partidários? Esta promiscuidade não existe quando o chefe de estado já o nasce sendo, sem precisar de vender a sua alma ao capital, aos interesses e aos lobbys. É este o principal paradigma da república, que a faz ser cada vez mais questionada.


 


A terceira e última razão é de ordem prática. Um rei, ao contrário de um presidente da república, tem por parte do povo e da comunidade internacional uma legitimidade que um presidente da república não tem. Por parte do povo, porque o rei é rei de todos os portugueses, ao contrário do presidente da república que é eleito apenas por uma parte dos eleitores, que posteriormente não se reflectem na sua figura – Cavaco Silva é um exemplo por demais evidente. Por parte da comunidade internacional, por razões históricas, familiares e mais importante do que as outras duas, por ser independente face a pressões políticas de grupos partidários de cariz internacional.


 


Assumo-me assim como um monárquico sem vergonha de o ser. Como diria o Miguel Esteves Cardoso, “os monárquicos são o maior partido clandestino existente em Portugal” e para ser monárquico não basta ter um autocolante estampado na traseiro do carro e dizer que o somos “porque sim”. (...)


 


João Gomes de Almeida

Um retrato cheio de história

O quadro que reproduzo neste artigo é um retrato a carvão de Dom Duarte Nuno de Bragança, desenhado pela minha bisavó, Valentina da Silva L...