segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Cem anos de mentira

Não podia ter calhado melhor este centenário de comemorações da república, que para alguns é também o centenário da resistência monárquica ao estado desta república. República esta que nos ofereceu a I república, um dos períodos mais negros da nossa história e posteriormente o Estado Novo, objectivamente o período mais negro da nossa história recente - em cem anos de regime que alguns agora comemoram tivemos mais de metade de anarquia e de ditadura, e é triste verificar que os historiadores do regime nada dizem sobre o assunto, limitando-se a fazer a apologia de ideais sobre uma chefia do estado que nada tem de ideológico.


 


Hoje sabemos que estamos em crise profunda, e temos a noção que esta crise não apareceu do nada, nem nos chegou via correio internacional dos E.U.A. ou do BCE. Sabemos que a crise que vivemos teve responsáveis, foi fruto de más práticas de gestão da coisa pública, logo foi essencialmente fruto dos políticos que nos governaram nas últimas décadas. Políticos que nos governaram em república, com um chefe de estado, ou seja, o mais alto magistrado da nação e o nosso supremo moderador, comprometido com os partidos, com as influências financeiras e com todos os outros lobbys. E não falo de nenhum presidente em concreto, falo de todos - não houve na história da república nenhum presidente independente, que moderasse a nação acima dos interesses dos partidos que o ajudaram a eleger, dos interesses económicos que financiaram a sua campanha e das personalidades e amigos que o fizeram subir na vida política e lhe permitiram chegar à presidência da república.


 


Neste regime em que vivemos está tudo comprometido com as más práticas políticas que infelizmente afundaram o nosso país, as nossas empresas e principalmente as nossas famílias. Este comprometimento vai da Assembleia da República até à Presidência da República, passando pelos conselhos de administração das grandes empresas e pelos gestores públicos com honorários que envergonham aquilo que devia ser um estado de direito democrático. No meio de tudo isto ninguém consegue dizer basta. Nem mesmo o chefe de estado consegue ser o timoneiro de uma mudança das práticas políticas, isto por apenas um motivo: o Presidente da República é o primeiro nesta teia de compadrio e comprometimentos.


 


Comemorar a república neste 5 de Outubro é o mesmo que baixarmos os braços e aceitarmos o estado a que o nosso país chegou, é negarmos às próximas gerações o direito a serem felizes e a serem bem governadas por políticos sérios, que sejam moderados por um chefe de estado isento, com um sentido de missão patriótica e que esteja acima dos interesses partidários, pessoais e financeiros que nos fizeram chegar até aqui. Cem anos de regime, devem merecer da parte de todos pelos menos cinco minutos de reflexão.


 


João Gomes de Almeida


 


Originalmente publicado aqui: http://booksdrinksrocknroll.blogspot.com/2010/10/cem-anos-de-mentira.html

Em Guimarães 5 de Outubro às 15.00hs celebra-se Portugal


 


No 5 de Outubro pelas às 15,00 horas no Paço dos Duques de Bragança em Guimarães o Chefe da Casa Real Portuguesa, S.A.R. Duque de Bragança, fará uma importante alocução aos portugueses em geral e àqueles que não se revejam na actual forma de regime em particular. A não faltar!

domingo, 3 de outubro de 2010

O impasse do regime


Vasco Pulido Valente chama-lhe uma “extravagante situação”, a do País inteiro estar fatalmente condenado a conviver com o primeiro-ministro mais execrado de que há memória, pelo menos durante mais um ano, talvez o período histórico mais delicado e determinante da nossa história recente. 
Assim é, porque as normas constitucionais produziram a aberração que é esta autentica manietação regimental: o legislador, prevenindo a natureza facciosa do Chefe de Estado emergido da luta partidária, e a possibilidade duma manipulação da agenda política em seu proveito eleitoral, impede-o de dissolver o parlamento, de acorrer a uma mais que previsível tragédia política a curto prazo. Aconteça o que acontecer durante os próximos meses, o destino da Nação encontra-se nas mãos de José Sócrates.


Irónico é como esta realidade afinal se revela tão conveniente ao Presidente da República que assim não necessita arriscar uma dramática decisão política, sobejando-lhe uma condescendente e escorreita caminhada triunfal para o seu segundo mandato. Resta-nos a nós esperar, torcer e rezar para que, daqui a um ano ainda haja um País para ser “presidido”, um Estado para alguém governar, um Portugal onde possamos trabalhar e criar os nossos filhos.

O Poder e o Povo

A República foi feita pela chamada “geração de 90″ (1890), a chamada “geração doUltimatum“, educada pelo “caso Dreyfus” e, depois, pela radicalização da República Francesa de Waldeck-Rousseau, de Combes e do “Bloc des Gauches” (que, de resto, só acabou em 1909). Estes beneméritos (Afonso Costa, António José d”Almeida, França Borges e outros companheiros de caminho) escolheram deliberadamente a violência para liquidar a Monarquia. O Mundo, órgão oficioso do jacobinismo indígena, explicava: “Partidos como o republicano precisam de violência”, porque sem violência e “uma perseguição acintosa e clamorosa” não se cria “o ambiente indispensável à conquista do poder”. Na fase final (1903-1910), o republicanismo, no seu princípio e na sua natureza, não passou da violência, que a vitória do “5 de Outubro” generalizou a todo o país.


Não admira que a República nunca se tenha conseguido consolidar. De facto, nunca chegou a ser um regime. Era um “estado de coisas”, regularmente interrompido por golpes militares, insurreições de massa e uma verdadeira guerra civil. Em pouco mais de 15 anos morreu muita gente: em combate, executada na praça pública pelo “povo” em fúria ou assassinada por quadrilhas partidárias, como em 1921 o primeiro-ministro António Granjo, pela quadrilha do “Dente de Ouro”. O número de presos políticos, que raramente ficou por menos de um milhar, subiu em alguns momentos a mais de 3000. Como dizia Salazar, “simultânea ou sucessivamente” meio Portugal acabou por ir parar às democráticas cadeias da República, a maior parte das vezes sem saber porquê.


E , em 2010, a questão é esta: como é possível pedir aos partidos de uma democracia liberal que festejem uma ditadura terrorista em que reinavam “carbonários”, vigilantes de vário género e pêlo e a “formiga branca” do jacobinismo? Como é possível pedir a uma cultura política assente nos “direitos do homem e do cidadão” que preste homenagem oficial a uma cultura política que perseguia sem escrúpulos uma vasta e indeterminada multidão de “suspeitos” (anarquistas, anarco-sindicalistas, monárquicos, moderados e por aí fora)? Como é possível ao Estado da tolerância e da aceitação do “outro” mostrar agora o seu respeito por uma ideologia cuja essência era a erradicação do catolicismo? E, principalmente, como é possível ignorar que a Monarquia, apesar da sua decadência e da sua inoperância, fora um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês, que o “5 de Outubro” trouxe a Portugal?


 


(Adaptação do prefácio à 6.ª edição do meu livro O Poder e o Povo).


 


Vasco Pulido Valente


 


 no Público  de 2 de Outubro de 2010 ( via Causa Monárquica)


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A Repressão da Imprensa Na 1ª República



Será inaugurada na próxima Segunda-feira dia 04 às 17,00hs no Palácio da Independência em Lisboa a exposição “A Repressão da Imprensa na 1ª República” organizada pela Plataforma do Centenário da República e com o apoio da Causa Real que contará com a apresentação do jornalista e cronista José Manuel Fernandes.


Esta exposição estará patente todos os dias até ao dia 15 de Outubro, de Segunda a Sexta, e é feita à margem das comemorações oficiais dos cem anos da república portuguesa e também à margem da investigação oficial sobre os primórdios do regime republicano.
Não falte, visite de Segunda a Sexta, a entrada é gratuita com oferta do catálogo!

Estudo maktest - 19.7% dos inquiridos acreditam que estaríamos hoje melhor com uma monarquia

 


Segundo o recente estudo da Marktest feito a propósito das das comemorações do Centenário da República, 19.7% dos inquiridos acreditam que estaríamos hoje melhor com uma monarquia. 37% dos entrevistados dos entrevistados considerou que estaríamos hoje pior se Portugal tivesse continuado como sendo uma Monarquia, para 14.0% estaríamos igual e 29.3% não soube ou não respondeu à questão. Apesar da propaganda enganosa a questão do regime não está resolvida.


 


Mais aqui

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A Muita satisfação

"... Afinal, o que é que se esperava deste Governo, a não ser a impotência mais derrancada e os resultados mais sinistros? O que é que se esperava deste primeiro-ministro, a não ser a pior, a mais inábil e a mais incompetente das chefias do Executivo de que há memória nos últimos 100 anos em Portugal? Não há resposta satisfatória, a não ser que a busquemos na conta redonda de um século.


 


Só se também foi, exactamente por causa disso, que o mais estúpido eleitorado da Europa deu a vitória ao PS, isto é, para comemorar, de maneira fúnebre, inorgânica e paralela a uma comissão oficial que vai fazendo o que pode com tão fraco pretexto, o centenário da tristérrima República implantada em 1910 por obra e graça de uma pseudo-elite despeitada, tanto monárquica como republicana, de uma tropa dividida e sem dignidade, de um maralhal de marçanos e carbonários, de uma sinistra piolheira popular abaixo de toda a qualificação...


 


De facto, se o fez para comemorar o centenário da República, o eleitorado que votou PS em Setembro passado conseguiu o que queria. Reinstaurou a balda e o forrobodó e bem pode limpar as mãos à parede. Não vai longe com a celebração. De resto, ninguém pode ir longe com o que se está a passar neste pátrio ninho de patos-bravos, calaceiros e espertezas saloias...."


 


Vasco Graça Moura


 


texto de opinião no DN de 29.09.2010

Um retrato cheio de história

O quadro que reproduzo neste artigo é um retrato a carvão de Dom Duarte Nuno de Bragança, desenhado pela minha bisavó, Valentina da Silva L...