quinta-feira, 14 de julho de 2011
Monarquia vs. República por S.A.I. o Senhor Otto Von Habsburg
domingo, 3 de julho de 2011
Municipalismo, uma nobre Causa
Este estranho fenómeno que constitui a Nação Portuguesa, um irredutível povo num pobre território sitiado no extremo ocidental da Europa, teve a sua génese, expandiu-se e desenvolveu-se, da Idade Média à diáspora dos Descobrimentos, até ao regime parlamentar constitucional, alicerçado em duas fundamentais e resilientes instituições que organicamente se equiponderavam: a Instituição Real e os Municípios.
A primeira, uma fórmula politicamente isenta e unificadora dum Estado disputado pelos eternos partidos (nas suas diversas fórmulas de “partes” na corrida pela governança) foi barbaramente derrubada entre 1908 e 1910, tendo sido substituída por uma tosca ficção de isenção e desapego, conhecida por “presidente”.
A segunda Instituição, os Municípios, o último reduto da autonomia local, contra a macrocefalia do Estado, prepara-se para ser violentamente atacado pela tecnocracia dos gabinetes da Praça do Comércio.
Pela minha parte, não me parece que a desregulação, o caciquismo ou o despesismo municipal se possam resolver com um novo mapa autárquico desenhado e régua e esquadro: acontece que, no caso de se fundirem duas autarquias de dez mil habitantes que empreguem cada uma metade dos seus eleitores, a despesa camarária em assistencialismo ou emprego artificial simplesmente duplicará. Na mesma proporção das rotundas, fontanários ou ruas desertificadas. A matriz que proporcionou a nossa Nação, essa continuará a ser metodicamente desmantelada pelo prato de lentilhas que hoje é o mito duma federação europeia. Esta não é uma causa para o Sr. Fernando Ruas nem do Bloco de Esquerda ou de Direita: esta deverá ser, no meu entender, uma Causa Real.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Uma Verdadeira Princesa... como nas histórias
Com a apresentação da jornalista Isabel Stilwell e do Padre Pedro Quintela, decorreu ontem ao final da tarde no Palácio da Independência em Lisboa o lançamento do livro "A Infanta Rebelde", da autoria de Raquel Ochoa, uma biografia de D. Maria Adelaide de Bragança publicada pela Oficina do Livro da editora LeYa.
Por ocasião duma pequena entrevista para o Correio Real, tive eu o privilégio de privar com esta verdadeira Princesa de Portugal, neta viva do Rei D. Miguel e afilhada de baptismo de D. Amélia e D. Manuel II, hoje com noventa e nove anos. A Infanta D. Maria Adelaide além de constituir um precioso testemunho vivo, directo e indirecto, da História dos últimos duzentos anos, a sua vida constitui um verdadeiro exemplo de profunda Nobreza aliada a uma invulgar bravura e irreverência. O livro, com as suas aventuras e desventuras já está nas livrarias... para inspiração dos portugueses que não prescindam da assunpção do seu protagonismo na História.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Quem nos acode?
Se não tivéssemos, há mais de cem anos, interrompido inconscientemente e ao sabor da conturbada moda da época, uma instituição que nos tinha conduzido, com mais ou menos eficácia, mas tenazmente ao longo de oito séculos de História, não estaríamos agora nesta situação desesperada e sem norte.
Não é a primeira vez que Portugal se encontra com falta de liquidez e com a dívida soberana levada à "glória", por políticos irresponsáveis ou corruptos, não interessa agora. No século XIX, o Fontismo, com a sua política de fomento, com abertura de estradas, construção de pontes e de linhas férreas por todo o País, juntamente com as explorações no interior do Continente Africano, tendo em vista a obtenção de fontes de matérias-primas, poucos anos depois de termos perdido as do Brasil, também levara Portugal à bancarrota financeira, com a ajuda do inevitável conflito com a Inglaterra, que ficou conhecido por "mapa cor de rosa", visto serem eles os nossos principais credores de então.
Nessa época de aflição tivemos um Rei D. Carlos, que imediatamente prescindiu de vinte por cento da Sua dotação orçamental e dirigiu um discurso à Nação, explicando as dificuldades que o País atravessava e exortando os Portugueses a pagar e sobreviver, conservando a esperança no futuro.
Hoje, volvidos que estão cento e um anos sobre a implantação da república, o que temos? No lugar do Rei, temos a sinistra figura que foi, como primeiro-ministro e com dinheiros vindos da Europa, o principal autor material do descalabro a que chegaram a nossa agricultura e pescas, pagando o abate da nossa frota pesqueira e de transportes, bem como subsidiando os nossos agricultores para nada produzirem, tornando um País de escassos recursos, num fornecedor de turismo e serviços, a alimentar-se de produtos importados, gerando um gigantismo do Estado sem paralelo na nossa História.
Com que autoridade brada hoje esse senhor pelo desígnio histórico do mar e pelo regresso dos portugueses à agricultura, que nos forçou a abandonar?
O Estado precisa ser redimensionado à nossa escala e aos capitais disponíveis, todos teremos que fazer sacrifícios.
É tempo de os políticos equacionarem todas as pesadas estruturas que sucessivos governos foram sobrepondo, para compensarem os seus sequazes, após cada vitória eleitoral.
Porque não começamos a racionalização por cima, sabendo, como sabemos, que os custos do Palácio de Belém são superiores aos da Casa Real de Espanha, que é muito maior e mais rica do que este pobre "rectângulo"?
Dom Vasco Teles da Gama in Diário Digital (15-Jun-2011)
terça-feira, 7 de junho de 2011
O poder das palavras de um Rei em frente de uma crise
No momento em que escrevo este breve artigo, Portugal atravessa uma crise sem precedentes desde que aderimos à então Comunidade Económica Europeia. No cerne do que estamos a viver encontra-se uma verdadeira mudança de onde releva a sempiterna discussão sobre o papel do Estado, em que o importante é resgatar a liberdade dos portugueses e de Portugal da discricionariedade com que os políticos da nossa praça nos têm brindado, frequentemente a coberto de uma retórica demagógica onde Estado Social, neo-liberalismo e interesse nacional são expressões vociferadas sem que ninguém saiba muito bem o seu conteúdo e sentido, semeando uma confusão generalizada.
Certo é que, como Friedrich Hayek previu, o chamado “cold socialism” do Estado Social degenerou num modelo insustentável de compadrios e corrupção – económica e moral – que crescentemente vai coarctando a nossa liberdade de acção enquanto indivíduos mas também como nação, ao vermo-nos reféns de políticos e de políticas que nos trouxeram no caminho de uma dívida externa que prejudicará indelevelmente as próximas gerações. A esmagadora maioria da população está dependente do Estado, directa ou indirectamente, e este, por sua vez, está dependente do estrangeiro. A dependência financeira acentuou a falta de liberdade e sem liberdade económica, não há liberdade política. Ou seja, agora que chegámos à situação de pedir ajuda externa – que em minha opinião já deveria ter sido solicitada há mais tempo – fica patente a perda de autonomia a que estamos sujeitos.
Contudo, ao longo da nossa longa História, várias crises tivemos de enfrentar. Esta não é a mais grave das que atravessámos e não será, com toda a certeza, a última. Na verdade, desde a fundação do Reino de Portugal, se há algo verdadeiramente constante são as permanentes crises económicas, sociais e políticas em frente das quais nos soubemos reinventar. A esmagadora maioria destas ultrapassadas sob a liderança de um Rei e de Estadistas de uma craveira que parece residir apenas no passado. E neste momento em que muitos apelam a vazios “consensos nacionais” ou vêem uma esperança na figura de um Presidente da República eleito por um quarto dos eleitores, torna-se evidente a necessidade de usufruirmos do desprendimento em relação a interesses partidários de que um monarca goza, bem como a sua superioridade moral capaz de revitalizar uma nação em frente de qualquer crise.
Vem isto a propósito, também, do recente filme “O Discurso do Rei”, em torno da figura de Jorge VI, que conseguiu ultrapassar o problema de gaguez e unir um Império contra a ameaça Nazi, tornando-se, em conjunto com Winston Churchill, um símbolo de resistência durante a Segunda Guerra Mundial. Na verdade, Jorge VI e a Rainha Elizabeth prestaram um inestimável serviço ao visitarem as trincheiras por diversas vezes, e com discursos que providenciaram uma muito necessária revitalização moral das tropas e do povo.
Em Portugal, nunca foram governos de união ou salvação nacional ou Presidentes da República que uniram a nação portuguesa – aliás, a separação política entre partidos e ideologias é um sinal de vitalidade de qualquer democracia, onde a oposição tem também um papel importante na fiscalização do Governo. Foram sempre os monarcas que souberam enfrentar crises como oportunidades, e que souberam colocar ao serviço de todos a sua liberdade. E mesmo que se argumente que numa monarquia constitucional, como é o caso britânico, o Rei tem poucos poderes, parece-me evidente que poucas coisas são mais poderosas na revitalização do espírito de uma nação do que a elevação moral, o sentido de serviço e as palavras de um Rei.
Talvez mais do que nunca durante a III República, encontramo-nos hoje em frente de evidências que nos mostram como a verdadeira tradição portuguesa da monarquia seria a garantia de uma saudável democracia, como contrapeso à demagogia que fere o debate público em Portugal. Não se trata aqui de um sebastianismo bacoco, em que muitos políticos portugueses parecem rever-se, mas sim da restauração da defesa dos interesses de Portugal e dos portugueses. As palavras de um símbolo de unidade nacional como o Rei seriam de um inestimável valor para podermos enfrentar os tempos que se avizinham.
Samuel de Paiva Pires in Correio Real nº 5 Maio 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Quer mesmo ficar sentado?
Chegaram e já se instalaram os que de fora vêm impor a receita que nos garantiam não ser necessária. Como é sabido e tem sido repetido até à exaustão, iremos viver tempos de grande dificuldade. Claro que quem nos pôs nesta miserenta situação, uma trupe de sucessivos irresponsáveis habituados a gerir à tripa forra recursos que não são seus, ao sabor dos ciclos eleitorais e das conjunturas, muito provavelmente, não sentirá remorsos nem um pingo de vergonha. Que não têm vergonha já se sabe. Que não nos respeitam também não se duvida. Mas não reside nisto o nosso problema. O grave é não nos darmos nós ao respeito.
Se estivermos minimamente atentos ao que se vai publicando lá fora sobre Portugal e sobre a sua triste situação, percebemos não ser muito abonatória a ideia que têm de nós e da capacidade de nos regermos. E, na verdade, percebe-se. Chauvinismos à parte, não é muito difícil de compreender o desconforto de quem, não tendo qualquer responsabilidades no nosso despautério, nem sequer uma vaga culpa in eligendo, vai pagar as pantominices desta caduca república.
O cenário em que hoje nos vemos é fruto de uma laboriosa prodigalidade de aventureiros e mentirosos que não se limitam a pôr em causa os nossos já magros cabedais. Com manifesta e recalcitrante ineptidão, ferem de morte a nossa credibilidade externa, a nossa compostura internacional e a honra com que nos apresentávamos no teatro das nações.
O medo que devotamos às chamadas ditaduras nacionais não é suficiente para que rechacemos aquelas que nos vêm do exterior. Claro que agora é tarde. Não pode corrigir-se o tiro que foi já desferido, mas deve a experiência do erro anterior ajudar a preparar o próximo disparo.
Não será tarde porém para nos convencermos de que todas as crises em que constantemente tropeçamos, umas mais económicas, outras mais financeiras, mas todas, sempre, políticas, são afinal emanação de valores pífios, transitórios e, as mais das vezes, contraditórios. Não será tarde, como digo. Mas não temos mais tempo. Se não tomarmos colectivamente uma atitude, se continuarmos ronceiramente a adiar a restauração dos nossos valores tradicionais, acontecerá connosco o que sucede com o nosso serviço de saúde. Ou vêm médicos estrangeiros salvar-nos ou morremos sentados numa cadeira de pau à espera de uma consulta.
Nuno Pombo in Correio Real nº 5 Maio 2011
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Escândalos e lutas pelo poder
O recente escândalo de Dominique Strauss-Kahn, acusado por uma criada de hotel de violação, está a preencher páginas de jornais e tempos de antena das televisões. Por se tratar de um crime sexual, e por DSK, como é conhecido no seu país de origem, ser à data dos acontecimentos director-geral do FMI e, mais importante ainda, provável candidato ao Palácio do Eliseu.
O tratamento deste caso tem todos os ingredientes para captar a atenção dos consumidores de notícias de escândalos: dinheiro, política e sexo. Tal como as histórias que envolveram o Presidente Clinton ou o primeiro-ministro italiano, mas aqui com a grande diferença de haver uma acusação de violência, o que torna o ex-ocupante da Sala Oval e o “cavaliere” Berlusconi em quase meninos de coro.
A notícia causou um terramoto em França, sobretudo no Partido Socialista, que via nele – inclusive mercê de sondagens que o davam como vencedor das eleições presidenciais de 2012 – o grande trunfo para recuperar a Presidência da República que desde François Mitterrand lhe tem escapado. Aliás, se o acusado pertencesse a um partido de direita, o abalo seria igual e as reacções semelhantes. Mas, imediatamente, o PS francês, ainda que oficiosamente, lançou a tese da cabala, o “complot”, que nós portugueses tão bem conhecemos da história política recente, para justificar a acusação. Sem, pelo menos de forma clara, nela implicar o partido do actual presidente, deixando no ar a possibilidade de serem países não europeus a quererem ocupar o lugar mais importante do FMI, os socialistas não deixam de dizer, pelas vozes de dirigentes menores, que DKS caiu numa armadilha para o afastar da corrida presidencial.
Neste caso lamentável, não faço juízos de valor sobre as atitudes “mulherengas” de Strauss-Kahn em que é reincidente, nem condenações prematuras, quando a Justiça ainda não se pronunciou definitivamente. Se tivesse que fazer acusações seria ao espectáculo montado em primeira mão pelo sistema penal dos EUA que fere a dignidade humana, e mesmo os criminosos confessos a têm, pelos meios de comunicação social para quem estes casos são uma forma fácil de vender o produto e para os leitores “voyeurs” que, como as hienas, se alimentam do esterco.
Mas, ao reflectir sobre este caso, não posso deixar de concluir que a simples enunciação da tese de “complot” – que pode muito bem ter existido – envolvendo um eventual candidato à Chefia do Estado francês, revela que a luta pelo poder, ainda que efémero, para o cargo de presidente da república, vem revelar que mesmo para a mais alta magistratura das repúblicas – que representam os seus países e os respectivos Estados, interna e externamente e deveriam ser a referência política das democracias – todas as formas de afastar ou diminuir possíveis adversários são possíveis, mesmo as ilícitas, pela legalidade ou pela ética. A chefia do Estado, pela sua importância nacional e política, não pode estar à mercê de lutas que a diminuem e põem em causa dignidade da função e de quem a encarna.
João Mattos e Silva in Diário Digital (23-Mai-2011)
Um retrato cheio de história
O quadro que reproduzo neste artigo é um retrato a carvão de Dom Duarte Nuno de Bragança, desenhado pela minha bisavó, Valentina da Silva L...
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