terça-feira, 3 de junho de 2014

Monarquia ou república?

 


 


"A figura do Presidente da República não consegue a mesma unidade que um rei.


Em Espanha há uma divisão política


grande e penso que, de outra forma,


não seria possível manter a unidade do país".


 


Pilar del Rio diz que não faz sentido falar nesse tipo de referendos. "Fazia mais sentido saber se as políticas da troika se deviam aplicar porque estão a destruir o estado social. A república é um regime mais moderno mas não é perfeito", contrapõe. Pilar defende ainda que, com a renúncia de Juan Carlos, "a monarquia arcaica mostrou ser capaz de renovar-se antes dos partidos políticos que têm apenas 38 anos de vida".


Para a jornalista e tradutora e companheira do Nobel da Literatura, José Saramago: "Filipe é sensível, educado, uma pessoa do nosso tempo. Não impõe o que está na sua cabeça. Tem um projeto e está a trabalhar nele. Faço votos que a sua primeira viagem seja à Catalunha e para falar de federalismo. Federalismo e pluralismo. Porque Espanha é um estado plural, livre, com referendos."


 


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A esta pergunta colocada pelo Jornal Expresso respondeu Belén Rodrigo, jornalista e correspondente do jornal espanhol ABC em Portugal e a viver há 13 anos em Lisboa, dizendo que, foi na república portuguesa que mais se apercebeu das vantagens da monarquia espanhola, concluindo que: "A figura do Presidente da República não consegue a mesma unidade que um rei. Em Espanha há uma divisão política grande e penso que, de outra forma, não seria possível manter a unidade do país".


 


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Quique Flores, antigo treinador do Benfica e fiel apoiante da monarquia, defende que Juan Carlos soube sair na hora certa e realça o legado do rei. "Tal como a maioria dos espanhóis, acredito, tenho muito a agradecer a Juan Carlos, que soube fazer uma maravilhosa mudança do regime ditatorial de Franco para a democracia", diz o antigo treinador do Benfica, nada surpreso com a abdicação "voluntária".



Ler mais no Expresso 


 


Nota final: Salvo algum imprevisto, o príncipe Filipe será proclamado rei pelo parlamento espanhol com cerca de 91% votos a favor dos PP, PSOE, UPyD, CiU e parte do Grupo Mixto


 

sábado, 17 de maio de 2014

Troika - e depois do adeus?


O problema é que o sucesso do resgate português deixou um rasto de destruição no que restava da reputação do regime e das suas instituições. E para ganhar um balão de oxigénio o regime necessita da imolação dum cordeiro, leia-se dos executantes do programa da Troika: o pouco provável descalabro da Aliança Portugal nas eleições europeias. Um fenómeno explicável pelo o vazio estético e mediocridade intelectual que reflectem os movimentos e protagonistas alternativos, que não conseguem aproveitar a fragilidade das instituições e do modelo partidário agonizante. É do seu interior que, numa despudorada cacofonia esquizofrénica, surgem as vozes das desgastadas elites que por mais que estrebuchem não conseguem emergir da lama – Capuchos, Marcelos e quejandos - mais do mesmo como é fácil concluir. Dado como certo, é a crise moral que emergiu do ajustamento financeiro que se apresenta como uma oportunidade de remissão. Para uma profunda reforma do regime, que tarda. 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Inesquecível


 


Ontem ao final da missa de Acção de Graças pelos seus 18 anos, o nosso Príncipe subiu ao púlpito onde rezou esta belíssima oração:

Senhor Deus do Universo
ao celebrar 18 anos da minha vida,
nesta terra que é a minha Pátria;
agradeço-Vos pelo Povo a que pertenço por inteiro
e por toda a minha Família.
No meu sangue transporto a Missão de servir o bem comum.
Diante de Vós venho pedir o dom de, com a Vossa Graça,
Corresponder ao que se espera de mim.
Dai-me, Pai de Misericórdia,
Sabedoria para intervir a favor dos mais fracos.
Iluminai os meus passos, 
na fragilidade insegura dos tempos.
Fortalecei o meu ânimo,
na fidelidade criativa a que me inspirais.
Nesta Terra de Santa Maria, Ó Deus de Bondade, 
eu Vos confio a minha vida.

Amen 
Dom Afonso de Bragança*

terça-feira, 25 de março de 2014

Continuidade e tradição como garantia de progresso


A tradição e a cultura (língua e obras) são os alicerces duma nação corporizada por um povo que a herda, administra e projecta para o futuro. O príncipe, como primus inter pares, encarna os desejos e expectativas da comunidade que representa e de que procede. Estamos no domínio da metapolítica que nos concede superar uma concepção meramente administrativa ou aritmética da coisa pública. E repare-se como não ficamos obrigatoriamente amarrados a uma simples questão de fé: para os não crentes numa ordem transcendente, a questão pode ser perspectivada no âmbito da simbologia, dimensão fundamental para a sustentação de um tácito contrato comunitário, a encarnação de uma realidade abstracta, a que se confere assim a harmonia necessária à adesão emotiva.


No que diz respeito à perspectiva estritamente política, nunca é de mais relembrar que a chefia hereditária do Estado, que maioritariamente subsiste legitimada pela história nos países europeus mais desenvolvidos, é um factor de equilíbrio e de religação nacional, último reduto da unidade identitária e dos valores perenes do ideal comum, sempre ameaçados pela mecânica democrática, cujo exercício por natureza exacerba a luta faccionária, compele à desagregação e à descrença por via da erosão de uma conflitualidade permanente, através da rivalidade e conflito entre partidos, grupos de interesses, económicos, profissionais ou estéticos.


É pois motivo de júbilo para os portugueses assinalar-se a maioridade de S.A.R. o senhor D. Afonso, príncipe da Beira, digno representante, com seu pai, de toda a nação portuguesa. As celebrações iniciam-se hoje dia 25 de Março com uma missa de acção de graças na Igreja da Encarnação (ao Chiado). Trata-se da comemoração da promessa da continuidade na direcção dos nossos filhos e netos, duma noção de pátria que é acima de tudo espaço, tempo e uma alma enorme de 900 anos.


 


Publicado originalmente no jornal i

quinta-feira, 20 de março de 2014

A continuidade como garantia de futuro


 


A tradição e a cultura (língua e obras) são os alicerces duma Nação corporizada por um Povo que a herda, administra e projecta para o futuro. O Príncipe, como primus inter pares, encarna os desejos e expectativas da comunidade que representa e de que procede. Estamos no domínio da meta-política que nos concede superar uma concepção meramente administrativa ou aritmética da Coisa Pública. E repare-se como não estamos obrigatoriamente amarrados a uma questão de Fé: para os não crentes numa ordem transcendente, a questão pode ser perspectivada no âmbito da simbologia, dimensão fundamental para a sustentação de um tácito contrato comunitário, a corporização de uma realidade abstracta, a que se confere a harmonia necessária à adesão emotiva.
Nesse sentido, só pode ser causa de grande júbilo a maioridade que S.A.R. Dom Afonso, Príncipe da Beira alcançará no próximo dia 25 de Março. É a promessa da continuidade na direcção dos nossos filhos e netos, duma noção de Pátria que é acima de tudo espaço, tempo e uma alma enorme de 900 anos.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Jantar dos Conjurados 2013

Decorreu ontem na Voz do Operário à Graça o tradicional Jantar dos Conjurados que reuniu várias centenas de patriotas à volta da família Real Portuguesa celebrando a restauração da Independência, e no qual S.A.R. Dom Duarte Duque de Bragança proferiu a sua habitual mensagem de 1º de Dezembro que aqui transcrevemos na integra: 




Mensagem aos Portugueses de S.A.R O Duque de Bragança
por ocasião do  dia da Restauração da Independência. 


 


Portugueses, Monárquicos…, Republicanos…,


 


São apenas adjectivos. Portugueses é o que somos e como, agora mais do que nunca, nos devemos sentir! Na véspera do 1º dia de Dezembro de 1640, algumas dezenas de portugueses corajosos, reuniram-se para combinar os últimos detalhes da revolução que iria devolver a liberdade a Portugal ou, caso falhassem, os levaria ao degredo ou à decapitação.


No momento presente, Portugal encontra-se sob dependência de credores e burocratas estrangeiros, devido à irresponsabilidade de governantes que endividaram o País, gastando o que tínhamos em investimentos que não produziram riqueza mas que permitiram ganhos a um número reduzido de privilegiados e que lançaram muitos para o desemprego e pobreza. Muitos sofrem agora as angustiantes consequências de algumas políticas irresponsáveis ou desonestas que conduziram esta 3ª República a uma situação de quase falência financeira. Já a 1ª República tinha terminado na mesma situação…


A minha Família e eu acompanhamos com muita preocupação as situações dramáticas de tantas famílias, mas, como tenho dito em muitas ocasiões, há mais de 100 anos que a Família Real foi afastada dos cargos que desempenhava em Portugal. E contudo, fazemos o possível para dar o nosso contributo para minorar esta dramática situação.


Dirijo-me aos mais idosos, os mais indefesos, cujo esforço de uma vida se vê ameaçado pela injusta quebra de rendimentos; aos desempregados, cujo salário era o único sustento de suas famílias; aos novos pobres cujo número aumenta arrastando famílias inteiras; e aos jovens em cuja educação o nosso País investiu e que hoje outras nações aproveitam, por força da emigração. Que magnífico exemplo que os portugueses têm dado no campo da resistência à adversidade e na preocupação com os que precisam de apoio!


Que seria de centenas de milhares de pessoas que são ajudadas pelas organizações civis e religiosas, se dependessem só do Estado? Nesse sentido recomendo que leiam com atenção a notável Carta Apostólica “Evangelium Gaudium”, do Papa Francisco I. Católicos ou não católicos, temos todos muito a aprender com ela.


Infelizmente o País não tem grande margem de manobra se o bom senso prevalecer… Dos responsáveis, em qualquer quadrante político, se espera que façam também um esforço para dialogarem de boa fé, superarem divergências, chegando a consensos com base numa ética do interesse nacional e do desinteresse pessoal e partidário, que tão arredada tem estado do funcionamento da nossa vida colectiva.


Acompanho em todo o País, extraordinários exemplos de criatividade e eficácia no campo científico, no campo empresarial e nos trabalhadores por conta de outrem. A minha Mulher faz tenção de criar um Prémio Príncipe da Beira que promova a criatividade científica. No estrangeiro somos particularmente apreciados, como tenho observado na Europa, nas Américas, e em países asiáticos onde as minhas deslocações me têm conduzido para promover os interesses nacionais.


A adopção de crianças é em Portugal um processo excessivamente difícil e demorado, mas seria uma excelente solução para evitar algumas situações dramáticas.


Já há um consenso nacional de que a nossa muito baixa natalidade compromete gravemente a sustentabilidade económica. Sem renovação das gerações, o Estado não conseguirá pagar as reformas de quem descontou para a Segurança Social: mas são poucos os que ousam falar de uma das causas deste problema, a nossa lei do “aborto a pedido” que tem provocado um genocídio encorajado pelo Estado e pago com os nossos impostos.


Enquanto no ano de 2012 nasceram menos de 90 mil crianças, nos últimos 5 anos foram mortas legalmente mais de 100 mil. Já é mais do que tempo de revermos esta lei aprovada por um referendo “não vinculativo”, após ter sido rejeitada por um referendo anterior.


Tive este ano a oportunidade de revisitar Angola e verificar o notável desenvolvimento económico e social que tem acontecido após o fim da trágica guerra civil. Fiquei muito bem impressionado com o estado de espírito que encontrei entre alguns governantes e, muito particularmente, entre as autoridades tradicionais, quando fui amavelmente convidado pelo Governador da província do Cuando Cubango. Espero poder vir a colaborar ainda mais activamente com esse magnífico País!


Tive também a felicidade de poder regressar a Timor-Leste e de trocar impressões com alguns dos seus governantes, em particular com o Senhor Presidente da República, General Taur Matan Ruak, cuja sabedoria política e humanismo muito me impressionaram. O mesmo posso dizer de outros governantes, em particular do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. José Luís Guterres.


Tenho encontrado em todos os países nossos irmãos da CPLP uma grande vontade em aprofundar os laços que nos unem, caminhando mesmo para a criação de uma união lusófona. Creio que temos de aproveitar este momento histórico para avançar nesse sentido. A criação de uma União Lusófona não iria pôr em causa a nossa pertença à União Europeia, como se pode ver com o exemplo dado pelo Reino Unido e a Commonwealth e até, noutra medida, com o exemplo francês.


A União Europeia é sobretudo uma união de interesses económicos, que têm de ser regulados por compromissos políticos, difíceis de sustentar sem uma nova solidariedade europeia. Na presente encruzilhada em que a Europa se encontra, em que tem de dar mais atenção às pessoas do que aos bancos, chegou a hora de nós, cidadãos, dizermos à Europa que esta não se pode fechar sobre si mesma, mas tem de olhar e estabelecer acordos com os Estados de todos os continentes que prosseguem os ideais europeus de humanismo e liberdade.


Para esses ideais pan-europeus muito contribuiu meu tio, e deputado ao Parlamento europeu, o Arquiduque Otão de Habsburgo. E num ano em que haverá eleições europeias, creio que temos todos nós, cidadãos portugueses, a obrigação de dar à Europa um exemplo de dignidade nacional. Ainda há muito para fazer no sentido de tornar mais eficaz o nosso relacionamento com os nossos vizinhos espanhóis. Na agricultura e indústria o relacionamento tem sido de agressiva concorrência, por vezes desleal, quando seria preferível e possível uma sã cooperação. Mas há que começar por criar um melhor conhecimento mútuo. Isso já acontece em algumas localidades fronteiriças, que desenvolveram excelentes iniciativas, exactamente por existir esse conhecimento mútuo.


A CPLP é ainda, e sobretudo, uma união de afectos, mas deveria evoluir no sentido político e económico, como tem defendido o Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, o Presidente da República de Cabo Verde, vários dirigente brasileiros e numerosos pensadores políticos em vários países lusófonos.


Na base dos problemas portugueses está em grande parte o nosso sistema educativo. Como disse um Primeiro-Ministro de Singapura “se acham que a educação custa caro ao País, façam as contas aos custos da ignorância”. E contudo, o problema principal não é falta de dinheiro, mas os programas. Quando o método de ensino se baseia em memorizar fórmulas e conceitos em vez de ensinar o raciocínio e desenvolver as capacidades intelectuais dos alunos, não nos podemos admirar com o dramático declínio do nível cultural da sociedade e com as opções incoerentes que tomam as novas gerações de políticos.


Um exemplo é a supressão do feriado do 1º de Dezembro, instituído pelo primeiro Governo republicano assim como o corte de apoios dados à Sociedade Histórica da Independência de Portugal, que promove as celebrações desta data. Apelo por esse motivo a que apoiemos a subscrição nacional para a recolha de fundos que permitam a sobrevivência desta centenária e utilíssima instituição.
Sei que estamos a terminar um ano difícil. Foi um ano em que as famílias empobreceram, em que as empresas atravessaram dificuldades e em que o Estado cortou nas pensões e vencimentos dos funcionários públicos mas não diminuiu significativamente os outros custos da própria máquina estatal. Aliás sempre me surpreendeu negativamente que os concursos públicos não sejam desenhados de forma a favorecer os produtos nacionais, como sucede em toda a Europa …


Mas quero e creio que o ano que se avizinha seja um ano de esperança, um ano de renovada afirmação dos valores que a Família Real procura seguir. Valores de solidariedade. Valores de honestidade. Valores de integridade e nobreza de carácter. Valores de liberdade contra os opressores das nossas vidas e dos nossos bens. Valores que foram erguidos bem alto em 1640 e que hoje gritam por uma nova Aclamação.


Viva Portugal!


 


O Chefe da Casa Real Portuguesa, Dom Duarte, Duque de Bragança



30 de Novembro de 2013



segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Ainda se pode evitar a ditadura que chega




Aqui tenho dito e repetido vezes sem conta: Portugal tem uma solução alternativa clara ao regime que nos trouxe à humilhação, à fome e à insignificância; Portugal tem os meios de que necessita para regressar de cabeça erguida ao concerto das nações; não precisamos de teorizar nem de think tanks do rotundo intelectualismo; nada há a pensar fora das coordenadas daquelas que foram, desde sempre, as constantes e linhas de acção e sentimento da nação portuguesa. Para quem, minimamente habilitado e experiente na análise histórica, se atrever perder o medo, a resposta é muito simples, tão simples que surge como uma evidência: monarquia. 


Persistem uns quantos retardatários em pedir calma e paciência, contando com uma menos que provável recuperação do sonho Europeu, sonho que não passa disso: ilusão. A Europa tábua-de-salvação, a Europa maná e cornucópia, essa morreu há dois ou três anos. De agora em diante, vingança das nações, será cada um por si. A fórmula europeia já não se discute, pois a Europa contra as nações, descerebrada, envergonhada de si, a que perdeu o orgulho e se refugiou na reforma dourada da velhice cobarde - pronta a tudo ceder e mutilar-se a vergonhosos extremos de humilhação - essa acabará dentro de dois ou três anos. Ou não viram, meus caros amigos, como cheios de cautelas, nos estão já a preparar para o triunfo de Marine Le Pen em França, para o triunfo das direitas nacionalistas nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, para a mais que certa saída do Reino Unido da União, a tal que de união só leva o nome ?


Ainda há tempo. Ao ler a clarividente entrevista de SAR o Senhor Duarte a um jornal de Macau, no decurso de uma viagem que está a realizar pelo Extremo-Oriente - fazendo o que os nossos pobres diplomatas não sabem, não querem nem podem fazer - só me posso perguntar:


- Por que raio mantêm os donos do país o espesso manto da censura, a sistemática desinformação, o escamoteamento da evidência em torno da questão de uma mudança de regime que tornasse possível garantir a liberdade, sabendo que ao fatídico e já irreversível colapso desta III República sucederá uma ditadura?



Miguel Castelo Branco in Combustões

Um retrato cheio de história

O quadro que reproduzo neste artigo é um retrato a carvão de Dom Duarte Nuno de Bragança, desenhado pela minha bisavó, Valentina da Silva L...