A regra é não agitar muito para não se precipitar o afundamento. Mas a partir de hoje o presidente respira de alívio, impedido de dissolver a assembleia e poderá descartar-se de qualquer responsabilidade para com a actuação do governo e do ambiente de protesto que se irá assistir por via dos efeitos das medidas anti-crise que em breve começarão a fazer-se sentir. A reeleição de Cavaco será de bandeja, que perante a catástrofe, falando o mínimo possível, reservar-se-á atrás da sua impotência constitucional. A Passos Coelho resta-lhe engolir mais um sapo, a ambiguidade de recalcitrar um Orçamento que afinal está condenado a aprovar. O facto custar-lhe-á alguma popularidade, nada irrecuperável, se considerar-se que irá ter cerca de um ano para embalar para umas eleições antecipadas, com o país em rápido naufrágio moral e financeiro. Se não souber aproveitar será porque foi aselha, ou então porque a crise terá enveredado a Nação para algum cenário muito diferente daquilo a que nos habituámos. Quem sabe uma grande oportunidade de verdadeira mudança.
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