Como educador de quatro crianças, encontro amiúde uma tão premente quanto velha questão com a qual fui de novo confrontado há dias ao ajudar a minha filha num trabalho de História do 6º ano sobre a Revolução Francesa: acontece que passam governos de direita e de esquerda, passam anos e décadas depois do PREC e nós conformados que se continue a ensinar às criancinhas a disciplina de História sob a óptica do Materialismo Histórico. Acontece que dá muito trabalho desmontar da cabeça duma criança a perspectiva do passado maniqueísta, repleta de juízos explícitos sobre uma Nobreza opressora, um Clero interesseiro, uma Burguesia gananciosa e o povo oprimido, vítima de tudo o mais. Ensina-se aos miúdos que a História da humanidade é um campo de batalha entre classes sociais (tornadas entidades corpóreas auto-conscientes), entre opressores e oprimidos, uma ascendente sucessão de acontecimentos, cujo desenlace é a vitória dos bons contra os maus, consubstanciada na modernidade dos dias de hoje.
Infelizmente ou felizmente a coisa não funciona assim e percebe-se que seja considerado perverso pelos pedagogos do regime revelar às criancinhas certas “fontes”, factos e pensamentos que denunciem a prevalência de um relativismo casuístico na História.
De facto como referia há umas semanas Filipe Paiva Cardoso, no jornal i custa a aceitar que o nosso país não tenha a força para reclamar o lugar de topo na história da civilização, quando, quase cento e cinquenta anos antes da Tomada da Bastilha, exibe num seu documento fundacional, a legitimação democrática de D. João IV, no assento das cortes de Lisboa em 1641, algo como “[...] sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins [vida, liberdade e felicidade], cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la” – e “Nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela [nação] não emane expressamente”.
De resto, quase duzentos anos depois de outorgada Carta Constitucional, nesta república modernaça e democrática por acaso hipotecada aos estrangeiros, alguém acredita que a igualdade do cidadão perante a lei já tenha passado das intenções à realidade? E sabiam V. exas que, ao contrário do que acontecia na Idade Média a que eles chamam “das Trevas”, hoje neste País é possível adquirir-se um relógio por 5.000.000 euros ou um Yacht por 500.000.000,00 de euros, enquanto uma família dos subúrbios de Lisboa vive com 500,00 euros por mês, e uma outra em África sobrevive com um por dia? Querem impingir uma linha condutora a isto tudo? Haja paciência!
Haja paciência!.....
ResponderEliminarprecisamente o grande erro..... é por isso que uma fauna de oportunistas se servem da Republica e que se formos a analisar caso por caso nada têm a ver com Republicanos ou Monárquicos simplesmente uma praga que infestou com lindas palavras um povo que muitos nada querem saber alem do domingo desportivo .....
João Távora o seu escrito e muito interessante mas um tanto tendencioso a meu gosto ......
a sua comprarão com o relógio e o barco são justas e infamantes para os tempos que correm ....mas também lhe lembro que no passado havia disso sobre outra forma claro ....por isso houve a tomada da Bastilha
que embora Republicano, lhe digo uma nova tomada vai acontecer se os funcionários responsáveis e pagos para governar decentemente esta Europa não aprenderem rápido e........ Ela será a bem-vinda .......
embora hajam fontes relativamente credíveis que digam que o absolutismo em França teve os seus momentos menos felizes, mas também não deixa de ser verdade que a maçonaria teve o seu dedo em muitos dos crimes do Terror e quando Luis XVI foi executado a votação que ditou a pena capital foi uma votação tagencial que nos tempos modernos nos países ditos civilizados quando se forma uma parlamento de urgência uma votação com uma margem tão curta quando é decidida a morte ou a vida de alguém obriga a recontagem e raramente é decretada a morte.
ResponderEliminarEm relação ao ensino há uma regra comum aos governos: Cada reforma feita cada vez ensino pior e basta ver os universitários que vão aos concursos de pergunta e resposta (estilo elo mais fraco, quem quer ser milionário, entre outros) que são verdadeiros calhaus com olhos e também nos níveis mais básicos a coisa está feia porque as escolas escolhem manuais muito baseados em CD-Rom e internet quando o pseudo-computador Magalhães não tem leitor óptico (nem dvd nem cd de qual formato) e a memória é tão frágil que basta que se passa uma música ou uma foto para a dita máquina que a mesma se avaria quase de forma irreparável