Foi recentemente publicada, pela Scribe, uma obra da autoria de António de Sampayo e Mello, intitulada “Monarquia? Em busca de um caminho para Portugal!”. Este acontecimento editorial merecia, por si só, uma referência, já que são escassas as obras vocacionadas a pensar o próprio regime.
O autor conhece, como poucos, a génese do que é o actual movimento monárquico português, é um cultor apaixonado do nosso País e da portugalidade e vem, de há muito, reflectindo sobre os caminhos possíveis para Portugal. Este livro é, pois, o resultado da sua reflexão sobre um caminho possível. É a reflexão de uma voz autorizada e, sobretudo, credível, já que mostra um pensamento próprio, que não tendo a preocupação da originalidade, rejeita o exercício do copista intelectual.
Vivemos de certo modo acomodados à ideia de fatalidade ou de inelutabilidade de um regime, como se o que se vivia há 150 anos fosse exemplar, como se o que vivemos hoje não pudesse ser alterado ou, ainda, como se qualquer regime fosse, por inteiro, ou só bom ou apenas mau. Não encontrará o leitor neste livro maniqueísmos deste género.
Em 194 páginas de leitura acessível mas muito documentada, António de Sampayo e Mello sugere-nos um excurso que passa pelos pontos que considera fundamentais da essência do monarquismo, sem temer a comparação com o sistema republicano, ilustrando os seus pontos de vista com muitos exemplos fundados no direito comparado e em experiências de outros tempos ou de
O autor, na verdade, não teme comparações. Antes baseia nelas uma linha argumentativa que mais do que vender uma solução pré-conceitual ou axiomática procura despertar consciências e levar os leitores à descoberta de várias possibilidades em presença. E não receia o autor tão-pouco reflexões de tipo jurídico se delas entende poder extrair um argumento ou ilustrar uma proposição.outros lugares, que muito contribuem para a construção do que penso poder ser apresentado como um verdadeiro discurso legitimador.
Claro que nem tudo o que defende António de Sampayo e Mello é consensual. Não era esse seguramente o objectivo do autor com um livro desta natureza e com este alcance. Mas mesmo quando o leitor for levado a discordar, o que acontecerá, estou certo, algumas vezes, terá de reconhecer que não houve nesta obra a intenção de ceder à polémica fácil e gratuita.
Tanto quanto é do meu conhecimento este é, de há uns anos a esta parte, o primeiro contributo para a construção teórica do monarquismo português contemporâneo. Cumpriria este livro, em absoluto, a sua missão se motivasse outros pensadores a empreenderem reflexão semelhante. Porque o caminho faz-se assim. Passo a passo. Rumo à meta.
Nuno Pombo in Correio Real 7
O livro pode ser adquirido aqui
Li o comentário e apreciei o seu conteúdo.
ResponderEliminarComplementa a informação que preciso de ter para me elucidar sobre o assunto e completar aquilo que já aprendi com a leitura de um livro ENORME, em todos os sentidos chamado "PAIVA COUCEIRO-Diários, Correspondência e Escritos Dispersos" da editora D.QUIXOTE com Organização e introdução de Filipe Ribeiro de Meneses. São 803 PENOSAS de LER porque o tamanho da letra é diminuto!!!! Não fora o facto de ser vendido dentro de embalagem plástica selada NÃO O TERIA COMPRADO falhando assim o precioso conteúdo que dá a conhecer contribui para a REFLEXÃO sobre o regime em que vivemos.
INFELIZMENTE, apesar dos meus 72 anos (mais) não totalmente ignorantes tive que recorrer à ajuda do velho dicionário para entender com segurança o que se pretendia dizer com o palavrão inicial: "RECENSÃO:......" Acabei por descobrir que entre as alternativas de "Recenseamento" e de "Exame crítico de uma obra", devia optar pelo segundo. O POVO PORTUGUÊS na actualidade, não é dado a cuidados de Interpretação....Bom seria que a essas massas fosse dedicada linguagem escrita CUIDADOSA para que consigam entender o que se lhes queira transmitir...
Os meus agradecimentos...pela parte que me toca.
Prezado Mário Arteiro, não estou bem certo de que o povo português não seja dado a cuidados de interpretação. O senhor lá fez uso do dicionário, o que só revela inteligência. É para isso que serve. E não temos todos de saber todas as palavras. O texto, que é da minha autoria, não o considero impenetrável. E o livro de que fala é-o menos ainda. Numa linguagem simples (mas não brutalizada, como é hoje próprio até do legislador) e rigorosa, dá pistas muito interessantes para esta reflexão. Seria bom contar com o seu contributo.
EliminarExmo Senhor Nuno Pombo.
EliminarComeçarei por agradecer a gentileza da resposta ao meu comentário. Permito-me insistir na justeza do que afirmei relativamente à capacidade interpretativa da geração ÚTIL. Refiro-me àquela que nem sequer usa dicionários porque usa meios electrónicos que corrigem a língua da forma que entendem...e de acordo com ACORDOS não aceites por todos. Falei em geração ÚTIL porque a minha está ainda presente mas não para proceder a mudanças RADICAIS que se impõem para que a NAÇÃO sobreviva, e a geração seguinte está a entrar em maturidade complicada, mas a nova é reduzida em dimensão, como consta das estatísticas demográficas, e a "ocupação", pacífica ou não, será um facto dentro de pouco tempo. Longe de mim querer criticar o conteúdo ou a forma do texto de sua autoria, que apreciei. Quis apenas deixar um alerta para as dificuldades que serão encontradas junto dos ALVOS mais importantes, que não conheceram o regime anterior e só têm experiência parcial do actual, ignorando totalmente , na generalidade (a menos que sejam apaixonados pela matéria) o que passou na monarquia longínqua ou próxima ! Não tenho sonhos nem pesadelos. Constato a realidade do mundo que me rodeia e agora estou por aqui porque já não dá para andar por outros lados.... Quanto ao Livro que referi não critiquei o conteúdo, que me enriqueceu, mas o tamanho de letra em que foi impresso. Claro que se fosse "normal" talvez ocupasse mais do que dois volumes...Quanto à Organização, respeito-a mas , para as gerações ÚTEIS, penso que interessariam sobretudo os aspectos doutrinários e não tanto os detalhes relacionados com as tricas típicas da intriga e dos jogos políticos. Sinceramente penso que a parte doutrinária merece destaque e permite a escolha de opções alternativas com honorabilidade, decência e princípios subordinados ao Patriotismo evidente.
Renovo os meus agradecimentos e tentarei aprender mais um pouco adquirindo o livro de António de Sampaio e Mello.