terça-feira, 18 de setembro de 2012

Os monárquicos na rua

 



 


 


Irritados uns, incomodados outros, mas certamente supreendidos muitos dos manifestantes do passado sábado ao depararem com as bandeiras azuis e brancas da monarquia constitucional portuguesa um pouco por todo o país.



Que querem os monárquicos portugueses, tanto os que se manifestaram como os que optaram por não o fazer? Querem, acima de tudo e para além da conjuntura política estrita destes dias, manifestar o seu desagrado pelo estado a que chegou esta milenar nação que é a nossa.



A III República está caduca, exaurida, desprestigiada interna e externamente, não sendo mais possível tapar o sol com a peneira culpando o partido A ou o partido B ou todos eles, por acção ou omissão. É o próprio regime, implantado violentamente em 1910 e regenerado em 1974, que carece de alteração no sentido de uma chefia de estado Real, efectivamente desvinculada de interesses particulares e transitórios, e verdadeiramente livre do jugo político-partidário.



Só a Instituição Real, pela sua própria natureza, pode neste momento histórico delicado ser uma alternativa credível à serôdia república em que vivemos, obrigatoriamente vivemos até pela proibição constitucional de referendos sobre o regime político.



Os monárquicos portugueses não querem pompa nem circunstância, nem corte nem cortesãos. Querem uma monarquia do século XXI e para o século XXI, moderna, descomplexada com a história pátria mas não alheada de uma particular continuidade multissecular que faz de nós uma das mais antigas nações europeias. Uma monarquia que, sem virar às costas aos vizinhos europeus, promova a lusofonia em todas as suas vertentes, aprendendo e ensinando simultaneamente com os nossos povos irmãos de Angola a Timor. Uma monarquia que acarinhe efectivamente a notável diáspora portuguesa, apenas lembrada quando convém ou ritualmente no dia 10 de Junho.



Está quebrada sem apelo nem agravo a legitimidade da III República, sendo pois a hora de passar adiante,a hora de interpelar os nossos concidadãos sobre se querem mais do mesmo ou se pretendem uma refundação do regime no único sentido possível: o Rei como garante das liberdades e do desenvolvimento sustentável do país, um Chefe do Estado que não é refém da classe política nem do seu passado político-partidário como vem sucedendo com os sucessivos inquilinos do Palácio de Belém.




Luís Barata in Diário Digital (18-Set-2012)

3 comentários:

  1. Verdade..mas também queríamos ouvir o nosso Rei, com palavras de esperança, conselho e incentivo.
    Aguém com 800 anos de serviço a Portugal certamente nos poderá ser inspirador!

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  2. " ... Os monárquicos portugueses não querem pompa nem circunstância, nem corte nem cortesãos. Querem uma monarquia do século XXI e para o século XXI, moderna..."
    Que impossibilidade absoluta! Num país onde, com frequência, a própria "esquerda radical" nutre profunda reverência pela origem aristocrática de outrém ou, no caso de a ter, a ostenta com orgulho indisfarçado.

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  3. Francisco Soares de Albergaria24 de março de 2013 às 12:44

    Em primeiro lugar devo dizer que me desagrada que a causa monárquica seja vista como arruaça. Há nitidamente uma falta de organização enorme entre os monárquicos. Dom Duarte não arrasta multidões e mesmo na Força Aérea é conhecido por ter tido um comportamento medroso enquanto piloto de helicópteros. Não incute respeito á sociedade e é visto como anedota permanente. Há sites internacionais que o apresentam como maçónico quando foi precisamente a maçonaria que acabou com a liberdade e vendeu Portugal. Nada abona a favor do candidato a Rei pelo que devemos dirigir o nosso olhar na direcção da descendência de Dom Duarte. Um Príncipe deve ser preparado para reinar. Deverá ser um candidato esclarecido em relação á sociedade e ao país que têm sido destruídos pela corrupção Republicana. Portugal está hoje de rastos economicamente falando por força de sucessivos governos corruptos que actuam em Portugal com total impunidade e falta de patriotismo. Mário Soares acabou a seguir á revolução de Abril com os dois garantes de uma regulação independente e equidistante do sistema politico. Primeiro eliminou o conselho da revolução e de seguida acabou com a tradição dos militares na presidência. Tudo é hoje controlado pelas máquinas partidárias em Portugal. Sindicatos, tribunais, forças de segurança, órgãos de soberania, etc. Nada escapa ao controlo partidário que, por sua vez, é manipulado pela banca e pelas sociedades secretas que estiveram na origem do assassinato e consequente descalabro do país. Lembro que quando Franco morreu na vizinha Espanha logo foi chamado ao poder o Rei dos Espanhóis. Aqui isso não aconteceu porque a revolução foi planeada e executada por militares descontentes com uma guerra onde era suposto combaterem. As declarações infelizes de Salgueiro Maia sobre a forma como tratou os governantes da altura disse tudo sobre a pouca elevação e até mesmo educação dos revoltosos. Gente movida pelo terror do ultramar e pouco esclarecida sobre a sociedade e o mundo em que viviam. E como de ignorantes se tratavam também de forma imbecil entregaram o Governo da nação e o destino dos Portugueses continentais e ultramarinos ás feras e aos interesses que não os legítimos dos Portugueses. Sou Suevo, descendente de Suevos. Um antepassado meu lutou por um ideal, um país, uma língua lado a lado com Afonso o filho de Henrique. A sua descendência e minha ascendência fizeram muito por este país. Não consta que alguma vez na história um de nós tenha sido traidor á sua Pátria ou ao seu Rei e dói, dói muito ver o meu país e a minha gente escravos de interesses que nada têm a ver com a nossa cultura ou maneira de ser. A verdade é escondida diariamente. Recentemente, graças ás novas tecnologias, dei comigo a ver um filme americano de 1952 sobre Fátima produzido pela Warner Brothers. Nunca tinha ouvido falar no filme e fiquei curioso. Ao fim de 30 segundos percebi imediatamente porque é que esse filme não passava no Salazarismo e continua a não passar na "Democracia" o filme está cheio de verdades politicas incomodas para republicanos, maçónicos e socialistas. Um filme de 1952 não passa na televisão Portuguesa 61 anos depois. Dá que pensar sobre a forma como o nosso conhecimento é condicionado. Que educação é esta que elimina dois seculos da história do país dos seus compêndios escolares? Nunca como hoje foi importante haver uma alternativa ao sistema politico vigente. O povo Português procura uma alternativa desesperadamente. Está na hora de aparecer e dizer a este povo amordaçado, enganado, espoliado, escravizado que ainda aqui estamos com vontade de lutar e lhe dar um país melhor e justo.

    Francisco Soares de Albergaria

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