quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Trabalhos de hércules

 


Parece-me inegável que a afirmação do movimento monárquico em Portugal nos últimos anos, vem ganhando fôlego. As acções e debates decorrentes do centenário do regicídio e da implantação da república, uma dinâmica pragmática da Causa Real, sob a direcção duma figura política de peso, a afirmação de outros movimentos de intervenção cívica de tendência monárquica, o irresistível humor das bandeiras hasteadas na Câmara Municipal de Lisboa e no alto do Parque Eduardo VII, a simpatia, mesmo que tímida, manifestada por novas gerações de académicos e fazedores de opinião são sinais positivos que não devemos menosprezar. Hoje, a Lusa, as TVs e os jornais reconhecem as estruturas da Causa Real como interlocutores preferenciais, quando pretendem abordar o tema. Se juntarmos a tudo isto a facilidade de publicação e disseminação de notícias e mensagens através das Redes Sociais, seremos obrigados a reconhecer que algo mudou nos últimos anos.
E sei bem quanto, apesar disso, estamos muito perto do ponto de partida, e de como o tema “mudança de regime de chefia do Estado” se mantém longe da agenda mediática. Acontece que ela se alimenta da voracidade das disputas pela “governança” do país, dos partidos, das grandes empresas, dos grupos profissionais ou de interesses, questões a que os monárquicos, nessa qualidade, deviam ser alheios. E depois há a “espuma dos dias” e a notícia espectáculo, critérios impiedosos para a sobrevivência desta indústria. Colocarmos a nossa Causa nesses palcos requer não só aproveitamento de oportunidades às quais devemos estar atentos, mas principalmente exige um trabalho profissional sustentado e respectivos meios financeiros.
Nas nossas mãos está no entanto a determinação na firme recusa em colarmos a Causa a facções, quer ideológicas, religiosas ou de costumes. Estou convencido que, para além dos danos que derivam dos costumeiros rótulos estereotipados que nos colam, os que nos fazem mais mossa são os que resultam da colagem de diferentes planos e motivações de intervenção. Sejam questões da chicana política, remoques históricos, convicções religiosas ou de costumes. Acontece que, neste caso, o resultado de menos com menos dá mesmo menos, e da amálgama desses planos sobra uma suicidária utopia e uma pretensa pureza ideológica que nos isolam e nos projectam para o exterior como excêntricos.


A Instituição Real moderna é, por natureza, abrangente, agregadora e não facciosa. As disputas entre esquerda e direita, religião ou ateísmo, socialismo ou liberalismo, têm que ser esgrimidas com todo o vigor, mas noutras arenas, de modo a não contaminarem a Causa e o nosso Príncipe. Perguntar-me-ão os mais desconfiados: para que serve então o Rei se este não intervém nem revoluciona as políticas e costumes ao seu legítimo e fundamentado gosto? Respondo que, no mínimo, serve para que numa parte pequena mas altamente simbólica da pirâmide do poder resida uma inspiradora e imaculada referência moral e de imparcialidade. Personificação duma improvável realização quase milenar chamada Portugal, a ligação transgeracional aos nossos avós comuns, que contra ventos e marés por tantos séculos o souberam dignificar.


Para lá de qualquer agenda fantasiosa, estou convicto que aquilo que urge é reunir tantos portugueses quanto possível na defesa e promoção da nossa Casa Real. Acontece que se dá o extraordinário facto de, após um século de desgraçada república, possuirmos uma incontestável Casa Real e com geração. Esse é um património a defender com todas as nossas energias, um significativo privilégio em relação às muitas irremediáveis repúblicas europeias. Facto que todos nós deveríamos fazer por saber merecer, não só com palavras mas com actos.


 


João Távora in Correio  Real nº 8 

6 comentários:

  1. "Instituição Real moderna é, por natureza, abrangente, agregadora e não facciosa. As disputas entre esquerda e direita, religião ou ateísmo, socialismo ou liberalismo, têm que ser esgrimidas com todo o vigor, mas noutras arenas, de modo a não contaminarem a Causa e o nosso Príncipe." sic
    Concordo em absoluto com este principio, que também é manifestado pelo Rui Moreira na entrevista que dá ao "Correio Real".
    Infelizmente isto não acontece e muitas vezes se tem transmitido opiniões sectárias, a coberto de alguns movimentos monárquicos.
    É fundamental que seja transmitida o conceito que, ao contrário do presidente da republica portuguesa, o Rei é Rei de todos os portugueses, sejam de que cor, credo, partido ou clube....esta é a ideia fundamental, o pilar base!

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  2. Viva ao Rei!!

    Eu tento partilhar o mais que consigo, pois estes 100 anos de tortura fazem esquecer a lealdade do rei para com o povo.

    Esta republica não foi votada.Foi sim, manchar-se de sangue para toda a história.

    Viva Portugal!! Viva ao Rei

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    1. E a comprovar tudo isto foi presença inspiradora
      da bandeira monárquica e de um grupelho de monárquicos na manifestação junto à Assembleia d República em 15 de Setembro, entre insultos e petardos.
      Uma exemplar ausência de facciosidade .
      Se juntarmos a tudo isto a facilidade de publicação e disseminação de notícias e mensagens através das Redes Sociais, seremos obrigados a reconhecer que algo mudou nos últimos anos. Como as mamas da futura rainha de Inglaterra .

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  3. A Instituição real está ao serviço do POVO e é em nome dele que DEVE FALAR, quando bem entender, sem temores, nomeadamente quando este está ameaçado. Quando assim não é, a Instituição de nada serve.

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  4. Cada vez me sinto mais ligado à causa monárquica!

    Esta republiqueta nefanda nasceu do sangue de inocentes, e é actualmente (desde há 38 anos) gerida por gente (excluindo Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, e mais alguns bons Portugueses) sem amor à Pátria !

    A Monarquia tem de o direito de ser escrutinada. Só com um Rei (e que belo Rei e linda família real nós temos!) é que a Nação Portuguesa pode voltar a ser uma comunidade ordeira, trabalhadora e pacífica, onde imperem os valores autênticos e os homens bons (no sentido histórico dos nossos municípios da Idade Média), onde haja real progresso (sem demagogias) e onde cada Português se sinta bem !

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  5. Francisco Soares de Albergaria24 de março de 2013 às 13:11

    Eu não defendo arruaças mas a cobardia não está nos pergaminhos dos nossos nobres antepassados. A nação necessita de nós AGORA. É agora que temos que nos apresentar aos Portugueses como solução e árbitros desinteressados e independentes da canalha politica que destrói o nosso país. É hora de dizer ao povo que sim somos solução. Solução para uma verdadeira independência dos tribunais e da justiça em Portugal. Solução para a dignificação da carreira militar e garante da sua independência partidária. Solução para a independência das forças de segurança que mais parecem moços de recados desta classe politica medíocre e intragável que devora Portugal.
    Este avança mas recua do movimento monárquico em nada eleva os elevados ideais patrióticos que nos devem guiar sempre mesmo com o risco da nossa própria vida. Mais vale morrer a servir a nação do que sobreviver como verme a servir-se dela.

    Francisco Soares de Albergaria

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