terça-feira, 16 de outubro de 2012

Portugal às avessas

 



 


 


Neste mês de Outubro a república deu-nos o triste espectáculo de os Presidentes dela própria e da Câmara hastearem a respectiva bandeira de pernas para o ar.



Verdadeira metáfora do triste estado a que nos têm conduzido os partidos políticos que, sem excepção, vêm criando há quase quarenta anos, por toda a função pública, um verdadeiro “polvo” que nenhum governo consegue enfrentar, por legitimamente eleito que seja, visto não haver inocentes.



Colocada que foi a bandeira, dirigiram-se as altas individualidades para um Pátio com acesso reservado a convidados, pela primeira vez em cento e dois anos, não fossem ser incomodados pelos protestos dos Portugueses, vítimas do esbulho mais despudorado de todos os tempos, a que estão obrigados pelas exigências da Troika, pelo cumprimento do serviço da dívida pública, bem como pelo sustento voraz do já referido “polvo”.



Começando pelas P.P.Ps, Fundações Públicas e Observatórios inúteis que pouco ou nada devem ver, uma Justiça inoperante e corrupta, o auxílio a Bancos falidos por irresponsáveis esbanjamentos ou criminosos cambalachos, um Parlamento desacreditado, mal frequentado e caríssimo, com deputados que legislam, os que o sabem fazer, em proveito próprio, enfim, todo um conjunto de manjedouras corporativas, cujo primeiro responsável está hoje sentado em Belém, como garante dos nossos direitos, rodeado de assessores e de seguranças que todos pagamos, com pavor de enfrentar o Povo que o elegeu!
 


Que diferença, quando comparamos esta atitude com a do Rei Dom Carlos, que dizia ao seu Ajudante de Campo, pouco tempo antes de ter sido assassinado, que mesmo sabendo o risco que corria, se se metesse em casa, provocaria um grande descalabro, afirmando: “Cumpro o meu dever. Os outros, (os políticos) que cumpram o seu.”
 


Cumpriram. Mataram-no, proclamaram a 1ª república, lançaram o País no caos, na bancarrota e na I Grande Guerra. A tropa deu-nos a segunda, quarenta anos depois, a terceira e eis-nos aqui chegados, em cada vez pior estado, exangues e sem referências.


É caso para dizer: Biba a república! Deve ser isto o que merecemos…




Dom Vasco Teles da Gama in Diário Digital (15-Out-2012)

2 comentários:

  1. Aqui está a versão completa do episódio aqui relatado, onde se mostra bem o carácter desse grande Rei que D. Carlos:
    “Meu Pai, que muito poucas coisas contava da vida no Paço, contou-me um dia um caso passado com ele (…) El Rei continuava a sair todas as tardes numa “vitória”, acompanhado pelo seu oficial às ordens, a dar o seu passeio habitual nas ruas da cidade, voltando ao palácio das Necessidades ao anoitecer. Num desses passeios, ao voltar do Campo Grande, já de noite, meu Pai, respeitosamente disse a El Rei que fazia mal em recolher a casa tão tarde em vista da exaltação em que os políticos tinham posto o país; que bem sabia que ninguém lhe faria mal, mas não poderia evitar que um doido, um exaltado lhe atirasse uma pedrada, um tiro. El Rei sorriu e disse: - “Tu tens é medo que eles errem a pontaria e te vão matar a ti”. Meu pai respondeu que sim, se tal acontecesse no dia seguinte haveria um “Te Deum” na Sé, por El Rei ter ficado incólume do atentado, enquanto ele iria para a “Morgue” e cá ficava a família ao desamparo.
    Meu Pai tinha dito isto para ver se El Rei se atemorizava e se acautelava. Este disse então que não pensasse em tal, porque haveria quem se ocupasse da família. E ficou um grande bocado de tempo calado, a fumar o seu inseparável charuto “Aquila”, depois, virando-se para ao meu Pai, disse-lhe
    “Tu julgas que não sei o perigo em que ando. Qualquer dia matam-me à esquina de uma rua, bem sei isso, mas que queres que faça? Se me metesse em casa, se não saísse, se mostrasse medo, era o descrédito do País, era a banca rota, era a ruína. Eu andando assim mostro aos estrangeiros que há calma, que há respeito pela minha autoridade, que há sossego Eu cumpro o meu dever, os outros que cumpram com o seu”. Calou-se, e assim vieram até as Necessidades. Isto passou-se em princípio de Dezembro de 1907. Dois meses depois, El Rei era morto!”

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  2. Francisco Soares de Albergaria24 de março de 2013 às 13:42

    Essa bandeira também não merece mais. Não passa de um trapo. É a mortalha da independência de Portugal. É a capa dos ladrões que esbulham a nossa Pátria. Tanto assim é que nem essa ralé a respeita. Se eles não o fazem porque razão o faremos nós?

    Francisco Soares de Albergaria

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