A tradição e a cultura (língua e obras) são os alicerces duma Nação corporizada por um Povo que a herda, administra e projecta para o futuro. O Príncipe, como primus inter pares, encarna os desejos e expectativas da comunidade que representa e de que procede. Estamos no domínio da meta-política que nos concede superar uma concepção meramente administrativa ou aritmética da Coisa Pública. E repare-se como não estamos obrigatoriamente amarrados a uma questão de Fé: para os não crentes numa ordem transcendente, a questão pode ser perspectivada no âmbito da simbologia, dimensão fundamental para a sustentação de um tácito contrato comunitário, a corporização de uma realidade abstracta, a que se confere a harmonia necessária à adesão emotiva.
Nesse sentido, só pode ser causa de grande júbilo a maioridade que S.A.R. Dom Afonso, Príncipe da Beira alcançará no próximo dia 25 de Março. É a promessa da continuidade na direcção dos nossos filhos e netos, duma noção de Pátria que é acima de tudo espaço, tempo e uma alma enorme de 900 anos.
Quando vejo este "puto" (no bom sentido...) nos media, e porventura os demais irmãos, e olho para o seu semblante só verifico uma coisa que o diferencia dos demais concidadãos e que se chama: "arrogância". Os que lhe regam o pé, uns autênticos idiotas...
ResponderEliminarQuando alguns dizem que são preparados para a função de representação do estado, gostaria que o Afonso fosse colocado perante diversos exames no sentido de verificar a sua diferenciação positiva e que demonstrasse que é de facto diferente, para melhor, de muitos dos concidadãos.
Devo apenas recordar-lhe que a esmagadora maioria dos reis portugueses (E foram 8 séculos...) não conseguiram resolver o problema do povo português relativamente a "bem estar" e "instrução" e que quando se implantou a República cerca de 5% dos cidadãos deste país sabiam ler e escrever, havendo muita fome à mistura.
É bom que tenha igualmente essa consciência e que a sua vida não se resuma a viver numa redoma, olhando-se ao espelho e achando-se bestial.
O futuro deste país está porventura em gente pertencente a instituições como as Universidades e não na instituição aristocrática que cheira muito a bolor e nada tem a ensinar ou modificar para melhor. Apenas tomar as rédeas do poder e viver bem sem nada fazer e "nascer com direitos adquiridos".
Até porque a monarquia não se pretende modificar, mas viver do passado (E extraordinariamente bem...!) como se ainda estivéssemos na idade Média. A tal continuidade que tanto apregoam...
Não sei onde o comentador anónimo detecta essa dita arrogância. Pode ser que seja uma deformação provocada pelo seu olhar. Quanto ao mais trata-se da sua opinião, que não cabe aqui discutir.
EliminarCordeais cumprimentos
Caro João,
EliminarNão sou provocador nem gosto de criar controvérsia de opinião. Acontece que o meu comentário apenas aconteceu porque dei com este blogue por acaso e acho o seu conteúdo uma piada medieval. Se não gostou do meu comentário, é simples, retire a possibilidade de um qualquer anónimo o poder comentar...
Quanto ao puto e à sua "arrogância" é talvez a consequência de o tratarem com uma diferenciação inexplicável. Se alguém nasce e começam a fazer uma lavagem à cabeça, ou seja que a nação ou o país depende dele, o podre coitado irá mesmo acreditar e vai viver toda a vida com essa "loucura". Quanto ao texto que acabei de ler relativo aos seus 18 anos (desejando-lhe desde já muitas felicidades...) é um autêntico non-sense . Quanto ao sangue que lhe corre nas veias, deve-se de estar a referir ao sangue derramado há nove séculos pelo rei Afonso Henriques. Sim o tal que se impôs à força, pelo constrangimento da violência, e se fez coroar. Embora na altura não houvesse nem outra forma de regime, nem democracia nem gente que pensasse ou soubesse pensar. Apenas a força da espada. E depois, depois é a tão apregoada continuidade.
O meu problema não é ter rei, mas ter gente e elite de qualidade, que é coisa que não temos, nem nunca tivemos... Agora ter rei com as profundas desigualdades com que sempre vivemos é que não. Ou será que também pretende essa continuidade. V. Exa. é porventura "D." e os seus concidadão fazem-lhe uma vénia e são tratados abaixo de cão...
Se a EU me obrigasse a ter rei, também não seria esta família que reconhecia como a mais preparada. Infelizmente há muito boa gente que pensa que ainda se vive no tempo das princesas, das bruxas e do capuchinho vermelho... Quem não se consegue impor pela intelectualidade, trabalho ou qualidade reconhecida pelos outros, só lhe resta tentar a sorte pela mentalidade medieval para se passar a ter importância.
Mas entende mesmo que o conteúdo deste blogue é deveras importante para a sociedade portuguesa?
Saudações.