domingo, 3 de outubro de 2010

O impasse do regime


Vasco Pulido Valente chama-lhe uma “extravagante situação”, a do País inteiro estar fatalmente condenado a conviver com o primeiro-ministro mais execrado de que há memória, pelo menos durante mais um ano, talvez o período histórico mais delicado e determinante da nossa história recente. 
Assim é, porque as normas constitucionais produziram a aberração que é esta autentica manietação regimental: o legislador, prevenindo a natureza facciosa do Chefe de Estado emergido da luta partidária, e a possibilidade duma manipulação da agenda política em seu proveito eleitoral, impede-o de dissolver o parlamento, de acorrer a uma mais que previsível tragédia política a curto prazo. Aconteça o que acontecer durante os próximos meses, o destino da Nação encontra-se nas mãos de José Sócrates.


Irónico é como esta realidade afinal se revela tão conveniente ao Presidente da República que assim não necessita arriscar uma dramática decisão política, sobejando-lhe uma condescendente e escorreita caminhada triunfal para o seu segundo mandato. Resta-nos a nós esperar, torcer e rezar para que, daqui a um ano ainda haja um País para ser “presidido”, um Estado para alguém governar, um Portugal onde possamos trabalhar e criar os nossos filhos.

O Poder e o Povo

A República foi feita pela chamada “geração de 90″ (1890), a chamada “geração doUltimatum“, educada pelo “caso Dreyfus” e, depois, pela radicalização da República Francesa de Waldeck-Rousseau, de Combes e do “Bloc des Gauches” (que, de resto, só acabou em 1909). Estes beneméritos (Afonso Costa, António José d”Almeida, França Borges e outros companheiros de caminho) escolheram deliberadamente a violência para liquidar a Monarquia. O Mundo, órgão oficioso do jacobinismo indígena, explicava: “Partidos como o republicano precisam de violência”, porque sem violência e “uma perseguição acintosa e clamorosa” não se cria “o ambiente indispensável à conquista do poder”. Na fase final (1903-1910), o republicanismo, no seu princípio e na sua natureza, não passou da violência, que a vitória do “5 de Outubro” generalizou a todo o país.


Não admira que a República nunca se tenha conseguido consolidar. De facto, nunca chegou a ser um regime. Era um “estado de coisas”, regularmente interrompido por golpes militares, insurreições de massa e uma verdadeira guerra civil. Em pouco mais de 15 anos morreu muita gente: em combate, executada na praça pública pelo “povo” em fúria ou assassinada por quadrilhas partidárias, como em 1921 o primeiro-ministro António Granjo, pela quadrilha do “Dente de Ouro”. O número de presos políticos, que raramente ficou por menos de um milhar, subiu em alguns momentos a mais de 3000. Como dizia Salazar, “simultânea ou sucessivamente” meio Portugal acabou por ir parar às democráticas cadeias da República, a maior parte das vezes sem saber porquê.


E , em 2010, a questão é esta: como é possível pedir aos partidos de uma democracia liberal que festejem uma ditadura terrorista em que reinavam “carbonários”, vigilantes de vário género e pêlo e a “formiga branca” do jacobinismo? Como é possível pedir a uma cultura política assente nos “direitos do homem e do cidadão” que preste homenagem oficial a uma cultura política que perseguia sem escrúpulos uma vasta e indeterminada multidão de “suspeitos” (anarquistas, anarco-sindicalistas, monárquicos, moderados e por aí fora)? Como é possível ao Estado da tolerância e da aceitação do “outro” mostrar agora o seu respeito por uma ideologia cuja essência era a erradicação do catolicismo? E, principalmente, como é possível ignorar que a Monarquia, apesar da sua decadência e da sua inoperância, fora um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês, que o “5 de Outubro” trouxe a Portugal?


 


(Adaptação do prefácio à 6.ª edição do meu livro O Poder e o Povo).


 


Vasco Pulido Valente


 


 no Público  de 2 de Outubro de 2010 ( via Causa Monárquica)


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A Repressão da Imprensa Na 1ª República



Será inaugurada na próxima Segunda-feira dia 04 às 17,00hs no Palácio da Independência em Lisboa a exposição “A Repressão da Imprensa na 1ª República” organizada pela Plataforma do Centenário da República e com o apoio da Causa Real que contará com a apresentação do jornalista e cronista José Manuel Fernandes.


Esta exposição estará patente todos os dias até ao dia 15 de Outubro, de Segunda a Sexta, e é feita à margem das comemorações oficiais dos cem anos da república portuguesa e também à margem da investigação oficial sobre os primórdios do regime republicano.
Não falte, visite de Segunda a Sexta, a entrada é gratuita com oferta do catálogo!

Estudo maktest - 19.7% dos inquiridos acreditam que estaríamos hoje melhor com uma monarquia

 


Segundo o recente estudo da Marktest feito a propósito das das comemorações do Centenário da República, 19.7% dos inquiridos acreditam que estaríamos hoje melhor com uma monarquia. 37% dos entrevistados dos entrevistados considerou que estaríamos hoje pior se Portugal tivesse continuado como sendo uma Monarquia, para 14.0% estaríamos igual e 29.3% não soube ou não respondeu à questão. Apesar da propaganda enganosa a questão do regime não está resolvida.


 


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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A Muita satisfação

"... Afinal, o que é que se esperava deste Governo, a não ser a impotência mais derrancada e os resultados mais sinistros? O que é que se esperava deste primeiro-ministro, a não ser a pior, a mais inábil e a mais incompetente das chefias do Executivo de que há memória nos últimos 100 anos em Portugal? Não há resposta satisfatória, a não ser que a busquemos na conta redonda de um século.


 


Só se também foi, exactamente por causa disso, que o mais estúpido eleitorado da Europa deu a vitória ao PS, isto é, para comemorar, de maneira fúnebre, inorgânica e paralela a uma comissão oficial que vai fazendo o que pode com tão fraco pretexto, o centenário da tristérrima República implantada em 1910 por obra e graça de uma pseudo-elite despeitada, tanto monárquica como republicana, de uma tropa dividida e sem dignidade, de um maralhal de marçanos e carbonários, de uma sinistra piolheira popular abaixo de toda a qualificação...


 


De facto, se o fez para comemorar o centenário da República, o eleitorado que votou PS em Setembro passado conseguiu o que queria. Reinstaurou a balda e o forrobodó e bem pode limpar as mãos à parede. Não vai longe com a celebração. De resto, ninguém pode ir longe com o que se está a passar neste pátrio ninho de patos-bravos, calaceiros e espertezas saloias...."


 


Vasco Graça Moura


 


texto de opinião no DN de 29.09.2010

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Chegou a hora!


 


A Causa Real promove no próximo dia 5 de Outubro no Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães pelas às 15,00 horas, uma Proclamação de Lealdade para com S.A.R. O Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, que juntará membros de todas as Reais Associações existentes no território nacional, simpatizantes da Causa Monárquica e cidadãos que não se revêem na actual forma de regime.


Apela-se à participação e presença de todos nesta acção em que terão ocasião de escutar uma relevante alocução ao país do Chefe da Casa Real.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A república no pantanal

A regra é não agitar muito para não se precipitar o afundamento. Mas a partir de hoje o presidente respira de alívio, impedido de dissolver a assembleia e poderá descartar-se de qualquer responsabilidade para com a actuação do governo e do ambiente de protesto que se irá assistir por via dos efeitos das medidas anti-crise que em breve começarão a fazer-se sentir. A reeleição de Cavaco será de bandeja, que perante a catástrofe, falando o mínimo possível, reservar-se-á atrás da sua impotência constitucional. A Passos Coelho resta-lhe engolir mais um sapo, a ambiguidade de recalcitrar um Orçamento que afinal está condenado a aprovar. O facto custar-lhe-á alguma popularidade, nada irrecuperável, se considerar-se que irá ter cerca de um ano para embalar para umas eleições antecipadas, com o país em rápido naufrágio moral e financeiro. Se não souber aproveitar será porque foi aselha, ou então porque a crise terá enveredado a Nação para algum cenário muito diferente daquilo a que nos habituámos. Quem sabe uma grande oportunidade de verdadeira mudança.

Um retrato cheio de história

O quadro que reproduzo neste artigo é um retrato a carvão de Dom Duarte Nuno de Bragança, desenhado pela minha bisavó, Valentina da Silva L...